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“O problema é que nós sempre confundimos a ideia de amor com apego. Sabe, nós imaginamos que o apego e o agarramento que temos em nossas relações demonstram que amamos, quando na verdade, é só apego que nos causa dor. Porque quanto mais nos agarramos, mais temos medo de perder. E então se nós, de fato, perdermos, vamos sofrer.

O que eu quero dizer é que o amor genuíno é… Bem, o apego diz: Eu te amo, por isso eu quero que você me faça feliz. E o amor genuíno diz: Eu te amo, por isso quero que você seja feliz. Se isso me incluir, ótimo! Se não me incluir, eu só quero a sua felicidade. É portanto um sentimento bem diferente.

Sabe, o apego é como segurar com bastante força. Mas o amor genuíno é como segurar com muita gentileza, nutrindo, mas deixando que as coisas fluam. Não é ficar preso com força. Quanto mais agarramos o outro com força, mais nós sofremos. Porém é muito difícil para as pessoas entenderem isso, porque eles pensam que quanto mais elas se agarram a alguém, mais isso demonstra que elas se importam com o outro. Mas não é isso. Elas realmente estão apenas tentando prender algo porque elas tem medo de que se não for assim, elas é que acabarão se ferindo.

Qualquer tipo de relacionamento no qual imaginamos que poderemos ser preenchidos pelo outro será certamente muito complicado. Quero dizer que, idealmente, as pessoas deveriam se unir já se sentindo preenchidas por si mesmas e ficarem juntas apenas para apreciar isso no outro, em vez de esperar que o outro supra essa sensação de bem estar que elas não têm sozinhas. E isso gera muitos problemas. E isso junto com toda a projeção que vem do romance, em que projetamos nossas idéias, ideais, desejos, e fantasias românticas sobre o outro, algo que ele nunca será capaz de corresponder. Assim que começamos a conhecê-lo, reconhecemos que o outro não é o príncipe encantado ou a Cinderela. É apenas uma pessoa comum, também lutando. E a menos que sejamos capazes de enxergá-las, de gostar delas, e de sentir desejo por elas e também ter bondade amorosa e compaixão, será um relacionamento muito difícil.’’
— Jetsunma Tenzin Palmo

Se você também sofre em alguma medida e lembra agora de pessoas em relações de controle, carência, apego, raiva e conflito, por favor ouça essa grande professora.

Livros publicados no Brasil

O livro Reflexos em um lago na montanha: ensinamentos práticos de budismofoi publicado recentemente pela Lúcida Letra, nele Jetsunma Tenzin Palmo transcorre uma visão geral e diretamente experiencial do caminho budista em seus vários níveis e abordagens.

Também foram publicados os livros No coração da vida: sabedoria e compaixão para o cotidianoeA caverna na neve: a jornada de Tenzin Palmo rumo à iluminação, sua biografia.

Tão dura, tão doce…

Jetsunma Tenzin Palmo é uma mulher poderosa! Nasceu na Inglaterra e foi para a Índia com 20 anos, virou aluna de Khamtrul Rinpoche, viveu 12 anos em retiro numa caverna no Himalaia, tornou-se a segunda mulher ocidental ordenada no budismo tibetano (escola Drukpa Kagyu) e fundou um monastério de monjas, onde é a responsável hoje em dia, além de oferecer palestras e retiros pelo mundo todo. Com uma linguagem simples e um foco na vida cotidiana, sem discursos eruditos, ela é uma grande professora, recomendada por Sua Santidade o Dalai Lama e Alan Wallace.

Conseguimos entrevistá-la durante sua primeira visita ao Brasil, em um hotel próximo ao aeroporto de Guarulhos, em meio a uma agenda bem apertada de ensinamentos: Nova Deli, Londres, Recife e depois Cidade do México. Seus 71 anos não são suficientes para reduzir sua energia. Nunca vi uma mulher tão doce e tão dura, tão cortante e tão acolhedora ao mesmo tempo — antes de conhecê-la, eu achava que eram qualidades opostas.

Mais vídeos com Jetsunma Tenzin Palmo

Veja também as outras partes dessa entrevista: “O que aprendi no coração da vida” e “Sexismo, preconceito e desumanização”.

Para transformar nossas relações

Toda semana nos encontramos em uma comunidade online (com pessoas de todo canto do Brasil e do mundo) para quem deseja transformar as relações. Os participantes se juntam para experimentar uma prática por semana, conversar em vídeo, relatar no fórum, estudar em grupo… Se quiser participar: olugar.org