Este texto foi escrito pela Ven. Tenzin Chogkyi especialmente para a comunidade do lugar, agora compartilhamos por aqui (com tradução de Geovana Colzani e Fábio Rodrigues). Se você entende inglês, pode ouvir os podcasts maravilhosos que ela tem gravado com ajuda de suas alunas e alunos, e pode também se inscrever em seu mailing para acompanhá-la e participar dos ensinamentos online. Tudo em seu site: unlockingtruehappiness.org →

Ven. Tenzin é uma das professoras convidadas para nos guiar no ciclo Vida e Morte que começará no dia 3 de maio na comunidade do lugar. Veja como participar →


Recentemente foi publicado um artigo no New York Times (“Quem Somos Agora”, de Elizabeth Dias e Audra Burch) sobre como a pandemia do Coronavírus levou as pessoas a refletirem sobre as questões mais profundas da vida: como vivemos, como sofremos e como damos sentido ao nosso pouco tempo aqui na terra.

As entrevistadas falaram sobre como como estavam se sentindo impulsionadas para uma transformação forçada, sobre estarem compreendendo que a morte pode chegar a qualquer momento e que não queriam morrer sem aprender a estarem felizes e verdadeiramente vivas, sobre perceber que eles gostariam de perdoar a todos que pudessem porque a vida é muito curta para ter ressentimento, sobre ver que a morte é certa, mas que por enquanto estamos vivos — e o que podemos fazer com esta oportunidade inestimável?

Ler sobre a experiência dessas pessoas me fez refletir sobre a preciosidade de ser uma humana com oportunidades potencialmente ricas e belas, de poder experimentar alegria, amor, conexão e sabedoria, ao mesmo tempo em que presencio imenso sofrimento e morte, e que me movo eu mesma a cada momento em direção à morte.

Além deste artigo, recentemente dei uma aula sobre gratidão na qual dois escritores que citei mencionavam que a consciência da mortalidade é importante para que tenhamos deleite e a agradecimento. Há uma conexão profunda entre a gratidão, a apreciação do que é incrível e belo neste mundo, e a consciência da morte.

Ven. Tenzin Chogkyi — Fotografia de Fábio Rodrigues

Na prática Budista, especialmente na tradição tibetana, há duas práticas que são enfatizadas no início do caminho. Uma é a meditação da consciência da morte e a outra é a meditação do nascimento humano precioso. Essas duas práticas são vistas como dois aspectos da mesma consciência, como dois lados de uma moeda. Por um lado, cultivamos consciência do quão efêmera é a vida, que ela pode acabar a qualquer momento. Por outro, desenvolvemos uma grande apreciação pela oportunidade extraordinária e passageira que temos nesta vida.

O objetivo dessas duas meditações é reorientar nossas vidas e redefinir nossas prioridades, descobrir o que é mais significativo para nós e fazê-lo sem demora. Fazemos isso em nossa prática de meditação e, como mostra claramente o artigo do NYT, para muitos de nós o ano de 2020 foi como uma meditação coletiva de consciência da morte.

O cultivo da consciência da mortalidade, se feito de maneira correta, não é algo que nos deprime, mas sim algo que nos dá ânimo. Todos já ouvimos histórias de pessoas com diagnóstico terminal que largaram o emprego e fizeram o que sempre quiseram fazer — talvez comprar um veleiro e velejar pelo mundo. Mas todos deveríamos estar fazendo a coisa mais importante o tempo todo, pois todos nós temos um diagnóstico terminal, que é o fato de termos nascido.

Um dos problemas de não nos prepararmos para a morte é que não aproveitamos ao máximo a nossa experiência de vida no presente. Curiosamente, pensar na inevitabilidade da morte nos leva a apreciar cada momento que temos. As histórias realmente tristes que ouvimos são sobre pessoas que estão em seu leito de morte e, porque sentiam ter todo o tempo do mundo, nunca fizeram o que realmente queriam fazer.

Este ano foi, e continua a ser, um grande desafio para nós. É possível que usemos o sofrimento e as dificuldades como uma forma de rever nossas prioridades na vida? De viver de acordo com nossos valores mais profundos e tentar tornar nossas vidas mais significativas? Isso pode produzir uma mudança duradoura em nossas vidas? Este seria um valioso presente deste ano cheio de incertezas e impermanências para nós.


Arte de Fábio Rodrigues para apoiar o ciclo Vida e Morte, onde Ven. Tenzin Chogkyi será uma das professoras. Saiba mais →

Vida e Morte: ciclo online sobre impermanência, luto e morte

“Vida e morte são de suprema importância —
impermanentes e rápidas.
Acordem, todos vocês.
Não desperdicem suas vidas.”

(Recitação da tradição Zen conhecida como Hange)

Estamos vivendo nossos últimos dias. Especialmente no Brasil, a realidade da morte nunca esteve tão próxima: temos mais do que o dobro de mortes diárias do que tínhamos antes da pandemia de Covid-19.

Diante de tanto sofrimento, convidamos grandes seres para nos conduzir por 7 semanas a partir de maio: Ven. Tenzin Chogkyi, Frank Ostaseski, Dra. Ana Claudia Quintana Arantes, Rodrigo Luz e Stela Santin. Foi uma alegria sem fim receber um “Sim!” de cada um deles. Será online e em uma comunidade com cerca de mil participantes de todos os estados do Brasil e de 20 países.

Veja como será e convide pessoas queridas. Que esse ciclo possa te apoiar nesse momento!

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Professoras e professores que estarão com a gente no ciclo!

O que vamos explorar

O ciclo será bem prático. Eis alguns dos principais focos:

  • Como a contemplação da impermanência aumenta a apreciação e a alegria
  • Não espere: um antídoto para morrer sem arrependimentos
  • Práticas para viver e morrer com sabedoria e compaixão
  • Luto é amor: como lidar com o luto e como apoiar pessoas em luto
  • Testamento vital: vamos esclarecer nossas prioridades e escrever nosso documento
  • A contemplação da morte em 9 etapas ensinada por Atisha
  • Como se abrir para mudanças, transições, crises e pequenas mortes

Saiba mais e participe →