“Celui qui tombe” (Aquele que cai) | Yoann Bourgeois

A querida Stela Santin está conduzindo conosco o estudo do livro “A lógica da fé”, de Elizabeth Mattis Namgyel, sobre a natureza interdependente e relacional dos seres, das situações, do sofrimento, de toda a realidade. Stela compartilha comigo a admiração pela abordagem de Esther Perel, psicoterapeuta que ouve casais diariamente há décadas, uma das poucas pessoas que não caem no romantismo da autoajuda ou, no outro extremo, no niilismo cínico, irônico e depressivo tão comum em quem desistiu de cultivar relações profundas. Hoje Stela me mandou esse trecho de uma entrevista recente dizendo: “Olha só como a gente só surge em relação”. Achei tão preciso que transcrevi, traduzi e compartilho com vocês:

Para que eu possa me conhecer, eu tenho de me conhecer por meio de você, por meio das minhas conexões com as pessoas. Mas podem ser estranhos, não precisa ser relações íntimas. Por meio das pessoas que me criaram, por meus amigos e colegas… É um espelho.

Mas o que é tão interessante é que tendemos a pensar que estamos reagindo ao que os outros fazem conosco. E não vemos que eles também estão, ao mesmo tempo, reagindo ao que fazemos com eles. É isso que é tão incrível de observar nos relacionamentos! Vemos a nós mesmos como apenas recebendo… Temos toda a consciência de “Você me fez sentir assim!”, “Você me levou a…”, “Foi porque você falou isso que eu…”, “Se você não tivesse feito isso, eu nunca…”. Nós vemos a nós mesmos como se estivéssemos reagindo. Quase nunca vemos nossa ação, apenas vemos a reação.

A verdadeira consciência em um relacionamento percebe ambas as pontas:

o que eu faço com você,

que faz você fazer comigo,

que me leva a agir assim com você,

que te leva a falar para mim o oposto do que você queria falar,

que me faz dizer a você o que eu também nunca quis dizer!

E aqui estamos. Presos!

Tendemos a pensar que um ser humano é uma pessoa. E temos uma fantástica frase para isso: “É assim que você é”, “Ele é assim”, “Ela é assim”, “Ela é esse tipo de pessoa”. E eu sempre respondo: “Com você!”. Ela é assim com você, mas não somos a mesma pessoa com os outros. Nós não somos apenas uma pessoa. Podemos ter algumas características mais centrais, mas somos moldados pelas relações onde estamos. Nós fazemos as relações e as relações nos fazem.

A relação é a dinâmica entre você e eu. É o espaço entre, não é quem sou e quem você é. É o que fazemos um para o outro, que puxa de você algumas coisas e que puxa de mim algumas coisas… É essa a definição de um relacionamento: é o espaço entre. É um outro modo de pensar sobre isso, em vez de duas pessoas se encontrando. Não, é o que eles criam juntos e o que eles fazem nascer um no outro.

“Little song”, também de Yoann Bourgeois

Estudo sobre relações e interdependência

Para participar de nosso estudo sobre interdependência, aqui estão todas as informações (estamos no começo, ainda dá tempo!): olugar.org/fe

Esther Perel sobre traição

Conheci a Esther Perel por essa palestra curtinha e maravilhosa: