Não há a possibilidade das flores serem vencidas. Isso é admirável, é maravilhoso, porque a flor não é um símbolo de força, não há a sensação de haver luta contra alguma coisa, que tenha alguém derrotado, que haja algum inimigo. O fato das flores surgirem é a vitória da fragilidade. Mas não é fragilidade: é a força que está além da força causal, é a força que transforma por dentro, sem a sensação de luta.”
—Lama Padma Samten

Você viu os temas de cada encontro online do intensivo SIM? Essa é uma visão muito poderosa para ser apenas “estudada”. Precisamos praticá-la, torná-la viva. Então por que não materializá-la? Para realmente proclamar um grande “Sim, um outro mundo é possível!”, podemos colocar algo em nossas casas e abri-las mais e mais à nossa comunidade. É um jeito de nascermos uns aos outros como agentes afirmadores da vida e da dignidade humana.

Fábio Rodrigues, artista e também um dos coordenadores do lugar, vem pesquisando e pintando com base em ensinamentos de Lama Padma Samten e Kazuaki Tanahashi, que remontam ao mestre Dogen: a flor como símbolo da transformação da visão, inseparável da transformação do mundo.

Fábio está criando a partir da contemplação do jacatirão, do manacá, da quaresmeira (tibouchinas), pois estão por quase todo o Brasil. São plantas pioneiras, ou seja, uma das primeiras espécies a surgir em uma área degradada que começa a se regenerar. Bem o que precisamos, não? Elas nascem entre dezembro e março, então o auge da floração será no tempo em que estivermos juntos durante o intensivo online SIM.

“Eu queria que as pessoas olhassem para as plantas nascendo de novo, porque é fascinante admirar o ciclo da vida.”
—Emicida

Para que todo mundo pudesse receber e espalhar essa mensagem em sua casa, surgiu a possibilidade de produzir uma flâmula serigrafada em tecido com tingimento natural. Todo esse processo está sendo feito por 9 jovens que participam de um projeto de capacitação e geração de renda, em Alto Paraíso. Entenda quem são e como sua participação vai apoiá-los.

Essa é uma ação minúscula num mundo que precisa de tanto mais… Porém, é com experimentos pequenos assim que a gente aprende a reconhecer a força já existente em redes compassivas que muitas vezes passam despercebidas.

“A hora de florescer é agora.”
—Patti Smith

Vamos enviar pelo correio uma flâmula serigrafada para 700 pessoas: 300 para as primeiras pessoas que entrarem no lugar para participar do intensivo; e 400 para as pessoas que já participam e quiserem receber.

Rascunho do desenho que será serigrafado na flâmula

Não adianta pedir agora! Vamos abrir um formulário no ano que vem. Estamos contando mais para você acompanhar e se alegrar. E, claro, se quiser já começar a participar do lugar para se ambientar antes do intensivo, será um prazer.

“Onde a primavera surge? A primavera surge dentro. Quando ela surge dentro, ela surge fora. Esse é o poder das flores. O velho tronco está seco e num certo momento ele produz flores em meio a um ambiente gelado. As pessoas veem as flores e dizem que é primavera. Antes de verem as flores, elas olham aquela paisagem e dizem que é inverno. Quando elas veem as flores, o gelo ainda está ali, mas elas começam a dizer que já é primavera!

Então, poderíamos pensar que o mundo vai se transformar pelas armas, ou por alguma coisa mais sólida, mas ele se transforma pelas flores! Acho isso muito comovente porque a visão de mundo muda e o impulso das ações acaba mudando junto.

Quando a sabedoria ou a compaixão se apresenta, ela não se apresenta pela força, ele se apresenta como flor. Ela se apresenta como mudança de visão e como essa mudança de visão pertence a própria natureza, ela não é uma artificialidade que está sendo construída… apenas estamos a reconhecendo.”

—Lama Padma Samten