Se quisermos um outro mundo, mais do que nos organizar pelo “Não!”, é melhor sonhar e nos conectar por um grande “Sim!”

Em nossa última newsletter aberta, não tivemos como não ressoar as falas recentes do Emicida, aproveitando para abrir um pouco do que estamos sonhando para o intensivo online de práticas no começo de 2020.

Em menos de 2 minutos, Emicida aponta uma atitude que é essencial para todos nós daqui em diante:

SIM nas palavras de Emicida

No comecinho de 2019, fizemos um intensivo online de práticas com convidados muito especiais que nos ajudaram a afirmar qualidades, sonhar outros mundos, nos organizar internamente e coletivamente para além de reações e críticas isoladas à crise brasileira e mundial. Chamamos de SIM — dentro do lugar seguem disponíveis todas as gravações, práticas e materiais de apoio.

Para abrirmos 2020, em vez de mudar o tema, sentimos que esse processo é ainda mais urgente do que era há alguns meses. Então vamos aprofundar e refrescar essa atitude, dessa vez com novas convidadas e práticas. Teremos mais um intensivo SIM! Vamos divulgar mais detalhes em breve…

Por enquanto, deixamos as falas recentes do Emicida, descrevendo e manifestando perfeitamente em seu movimento o processo que cada um de nós pode e deve abrir de agora em diante. Estamos espantados em encontrar essa visão por toda a parte! Não apenas sobre “não/sim”, mas sobre a afirmação da vida, das plantas, das flores como expressão de lucidez e bondade. É impressionante. Tem algo aí. Tem algo na nossa cara pedindo para ser feito…

“No Brasil do pós-2013, infelizmente, a gente sonhou muito, mas fomos sequestrados pelo ódio nos organizamos em torno do “não”. “A gente é contra”, “A gente odeia”, “Contra tudo e contra todos”… Não estou dizendo que essas coisas não tiveram valor, mas não conseguimos construir. Sacou? Acho que não conseguimos alcançar a maturidade que o pós-luta exigia.”

“Eu acho que o ódio, como estratégia, falhou. O ódio como estratégia foi que trouxe a gente até aqui. A gente só vai conseguir construir algo se a gente conseguir fazer uma coalizão. Em torno do “sim”, em torno de “OK, vamos construir isso”. E a gente não está falando sobre construção…”

“A relação é algo que está muito presente no disco como um todo, porque fala de como você se relaciona com coisas simples, que muitas vezes são entendidas como desnecessárias para quem está querendo ter dois milhões de seguidores. Eu queria que as pessoas olhassem para as plantas nascendo de novo, porque é fascinante admirar o ciclo da vida.”

“O que eu acho que a gente tem que fazer nesse momento é recuperar a calma, que é a primeira coisa que nos roubaram. A rotina é muito corrida e precisamos sempre estar nos virando para conseguir dinheiro. Sem calma, ninguém pensa direito. Nesse sentido, eu acho que a serenidade é revolucionária. Sabe aquele momento em que você tretou com alguém porque estava com a cabeça quente e depois de um tempo pensou de maneira diferente sobre a situação? Quero fazer com que as pessoas pensem direito. Várias pessoas, que no fundo concordam entre si, estão brigando.”

—Emicida (esses trechos foram retirados das seguintes entrevistas: Uol, El País e Tenho mais discos que amigos)

Para materializar e espalhar essa visão

Fábio Rodrigues começando a trabalhar em um presente que em breve pode estar na sua casa

Essa é uma visão muito poderosa para ser apenas “estudada”. Precisamos praticá-la, torná-la viva. Então por que não materializá-la? Para realmente proclamar um grande “Sim, um outro mundo é possível!”, podemos colocar algo em nossas casas e abri-las mais e mais à nossa comunidade.

Fábio Rodrigues, artista e também um dos coordenadores do lugar, vem pesquisando e criando a partir dessa visão há algum tempo, nutrido pelos ensinamentos de seus mestres Lama Padma Samten e Kaz Sensei, que remontam ao grande Eihei Dogen.

“Não há a possibilidade das flores serem vencidas. Isso é admirável, é maravilhoso, porque a flor não é um símbolo de força, não há a sensação de haver luta contra alguma coisa, que tenha alguém derrotado, que haja algum inimigo de fato. O fato das flores surgirem é a vitória da fragilidade. Mas não é fragilidade: é a força que está além da força causal, é a força que transforma por dentro, sem a sensação de luta.”
—Lama Padma Samten

Fábio está criando a partir da contemplação do jacatirão, do manacá, da quaresmeira (tibouchinas), pois estão por quase todo o Brasil. São flores roxas, brancas, rosas… E olha só: são plantas pioneiras, ou seja, uma das primeiras espécies a surgir em uma área degradada que começa a se regenerar. Elas nascem entre dezembro e março, então o auge da floração será no tempo do intensivo SIM!

Assim que a pintura estiver pronta, a ideia é fazer uma serigrafia e produzir flâmulas que podem ser penduradas em qualquer lugar.

Ao pendurar a flâmula em sua casa ou comunidade, claro, isso não muda nada, mas é um jeito de nascermos uns aos outros como agentes afirmadores da vida. É um jeito de olhar para nossa mente, nossa comunidade, nossas qualidades, nossas relações… E proclamar: “Outros mundos são possíveis. E aqui podemos começá-los.”

Algumas fotos que recebemos de Luciana Pinto nos últimos dias

Para apoiar uma comunidade e andar mais em rede

Graças a uma conversa entre Geovana Colzani (que trabalha conosco no lugar) e Luciana Pinto (arquiteta, trabalhando no Instituto Caminho do Meio Alto Paraíso), surgiu a possibilidade de aproveitar a produção das flâmulas para apoiar um projeto de capacitação e estímulo de geração de renda.

O trabalho começou semana passada com 9 jovens, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, tocado pelo Instituto Maanaim, ONG com bastante experiência com apoio de dependentes químicos e na prevenção à drogadição, ao crime e à violência.

Os alunos são: Bruna, Cássia, Eliziá, Jeam, Jonas, Kelvin, Luís, Murilo, Samuel. Eles participam de cada etapa com eles, desde o orçamento até a entrega final das flâmulas. Na equipe, Luciana Pinto é a coordenadora do projeto, Ivan Carvalho é artesão e instrutor de tingimento com tinturas naturais, Joci Caetano é artesão e instrutor de serigrafia. Pelo Instituto Manaaim, André Gomes é o coordenador de programas e projetos, Erika Ferreira é artesã e assistente social e Ana Rosa de Jesus é da equipe de apoio.

Para a produção de 700 flâmulas serigrafadas com base na arte do Fábio Rodrigues, eles usarão talas de buriti e o tingimento artesanal será com romã, urucum e casca de cebola.

No começo do ano, parte do dinheiro que os participantes oferecerem ao participar do lugar vai diretamente para esse projeto em Alto Paraíso de Goiás.

Essa é uma ação minúscula num mundo que precisa de tanto mais… Porém, é com experimentos assim que a gente aprende a juntar visão de florescimento da vida, arte, materialidade para além do “online” e apoio coletivo. Como diz Sabrina Fernandes, a gente precisa aprender a se organizar.

E tudo isso pode chegar na sua casa…

Nossa ideia é enviar pelo correio uma flâmula serigrafada para 700 pessoas: 300 para as primeiras pessoas que entrarem no lugar para participar do intensivo; e 400 para as pessoas que já participam e quiserem receber.

Não adianta pedir agora! Estamos só contando um pouco do que vem por aí. Mas você pode já se alegrar. E, claro, se quiser já começar a participar do lugar para se ambientar antes do intensivo, será um prazer. ;-)

Um abraço,

Gustavo, Fabio, Polliana, Geovana, Amuri e Isabella